Bulldog e seu Passado

 

Por G. SANTANNA DE BARROS

A palavra MITO é relativa às coisas fictícias ou irreais. O MITO é uma palavra que designa um aspecto cultural que na realidade não é concreto, existe somente no imaginário de pessoas supersticiosas, mal informadas ou de pessoas que, por algum motivo, preferem acreditar e propagar a fantasia em detrimento da razão e do bom senso.

A ferocidade do Bulldog constitui-se “HOJE” num MITO.

A figura e o nome do Bulldog, em razão do seu passado, exercem influencia para que o Bull Baiting continue a existir nos dias atuais :

Como história, por parte dos criadores da raça Bulldog.
Como mecanismo para exaltar o MITO, por parte de pessoas mal intencionadas que utilizam o inexistente Bull Baiting como instrumento para fabricar pseudo raças que vivem a sombra deste MITO.
Querer a continuar a falar de Bulldogs associando o seu nome à palavra ferocidade constitui-se no exercício do MITO, praticada por indivíduos que vivem fora da realidade e por elementos que não pertencem ao mundo da pura raça do BULLDOG INGLÊS.

O Bulldog Inglês é uma prova (incontestável) da competência e da habilidade que os homens possuem, quando querem resgatar uma raça de uma condição indigna, e promover a sua recuperação ao ponto de torná-la exemplo de conduta no meio social. Hoje o Bulldog apresenta um brilhante carisma e dentre todas as demais raças caninas é uma das mais dóceis e afetuosas.

Quando no século 19, foi promulgado um decreto em Roma, proibindo que os Bulldogs transitassem nas ruas, mesmo que acorrentados, os Bulldogs já estavam estigmatizados pela fama de ferocidade (ferocidade que havia sido, no decorrer dos séculos anteriores, propositadamente acentuada pelos homens, através da seleção da raça, para condicionar os Bulldogs para os esportes sangrentos da moda). Após a proibição do Bull Baiting, as décadas subsequentes em que os Bulldogs permaneceram na companhia dos delinqüentes, que, à margem da lei, insistiam na promoção clandestina de rinhas, reforçaram este estigma de vilão. Esta fama foi influenciada também pela aparência de ferocidade peculiar na raça.

A expansão do Império Britânico, nos séculos XVIII e XIX, internacionalizou o Bulldog, pois muitos deles, em diferentes épocas, foram importados da Inglaterra pelos súditos do Império, residentes nas colônias espalhadas pelo planeta.

Posteriormente, nos desenhos animados e nos filmes , aonde fosse necessário um cão vilão, nenhum se encaixava melhor que o Bulldog com a sua cara de poucos amigos.

A expressão de cão bravo, patrocinada por estes filmes e desenhos, percorreu ainda mais o mundo todo, fixando nas mentes das pessoas uma imagem inconfundível.

Não existe uma outra raça que, a nível internacional, tenha alcançado um grau de notoriedade tão elevado.

Se, no interior da China central, for apresentado a um de seus habitantes uma fotografia ou desenho de um Bulldog, certamente este aldeão chinês dirá que conhece aquela imagem. Isso não significa que, algum dia, ele tenha tido a oportunidade de estar pessoalmente na presença de algum Bulldog (quantas são as pessoas, que no decorrer de sua existência, não tiveram a chance de ver um bulldog ao vivo?), mas significa que, em algum momento de sua vida, através de algum filme, desenho animado ou gravura, avistou a imagem bizarra e extremamente original do Bulldog Inglês, (tão estranha quanto inesquecível).

E tem sido assim no mundo inteiro, aonde continua sendo uma raça reconhecida nos quatro cantos do planeta.

Bulldog vem imprimindo, de forma brilhante, a sua passagem por nossa civilização, adaptando-se a novos tempos com invulgar performance; passou por diversas transformações forçadas pela sociedade.

Bulldog dos tempos modernos é dócil, dotado de um temperamento maravilhoso e plenamente confiável. O período negro de seu passado faz parte de uma rica história, e deve ser mencionado até mesmo para que sirva de exemplo, quanto ao poder que os homens tem, quando querem canalizar seus esforços, na arte de criar cães, para ambas as direções de uma criação: a destrutiva e a construtiva. Mas este passado de sangue é, orgulhosamente, encarado pelos atuais criadores como sendo é uma página virada na história da raça.

Lamentavelmente observamos em nossos dias, que existem pessoas que, atendendo uma índole beligerante, empenham-se na formação de novas raças, cuja a finalidade tem sido a de criar cães que possam reproduzir os feitos realizados pelos Bulldogs do passado ou explorar indevidamente a imagem do Bulldog.

Hoje, o Bulldog está convivendo com o “MITO BULLDOG” (fortemente presente e associado à sua imagem e ao seu nome pelos feitos passados), Este MITO Bulldog, gerado por uma fama de reconhecimento internacional, deixa um rastro muito forte por onde passa, despertando a atenção destes oportunistas de plantão.

O MITO BULLDOG tem sido um atrativo de escusos interesses.

Possivelmente por pessoas que, após diversas tentativas, fracassaram na arte de criar os verdadeiros Bulldogs, e que hoje se dedicam a mesclar exemplares da raça Bulldog com outros cães, com o objetivo de criar novas pseudo raças.

Inventam raças novas a cada período (que muitas vezes não se enquadram nas exigências necessárias para ter reconhecimento de pura raça canina). Promovem a criação de espécimens híbridos, e utilizando-se de falsos expedientes estão anexando o nome Bulldog juntamente a outras palavras para constituir um novo nome, com o qual nomeiam uma pseudo raça que carece de reconhecimento da Cinofilia séria, ética e responsável.

E, tendo o interesse de atrair a atenção do público consumidor para este trabalho, inventam estórias com enredos destituídos de argumentos críveis, fundamentadas em interesses pessoais. Com o objetivo de promover a estes cães, tentam iludir aos ouvintes transferindo os méritos e a tradição da história do Bulldog para estes espécimens que, por serem da época moderna, são destituídos de história e de tradição.

Isto é o que denominamos por “MITO”, que imprime notoriedade a qualquer outro cão que descenda do Bulldog (quando descende realmente).

Excessos estão sendo cometidos sob os pretextos mais levianos. Um dos mais comuns posto em prática é o da inversão de valores, chegando-se as raias do absurdo de alegar que o Bulldog Inglês descende de cães (pseudo raças modernas) que tiveram no processo de sua formação o sangue do próprio Bulldog, cães que sequer tem 30 anos de formação pseudo racial. Pessoas dotadas de segundas intenções apresentam ao público estas pseudo raças, não reconhecidas pela principal e mais importante Instituição Cinológica (A K C) dos USA, país em que estão sendo formadas.

Tentam vestir com a tradicional história do Bulldog a cães despidos tradição própria, na maior parte das vezes de cães de passado tão moderno quanto obscuro.

Deveremos aplaudir as iniciativas e o trabalho sério voltados para a formação de novas raças, e a questão não é esta. Entendemos que a uma pseudo raça (hoje em formação), possa ser uma raça reconhecida e de prestígio no futuro, pois esta linha de pensamento transita pela lógica da expectativa. Entender que estas possam herdar os atributos inerentes a uma das raças que estão fazendo parte desta formação, é compreensível e aceitável, é uma identificação de origem, ainda que se explore apenas o campo das possibilidades.

Articular para que uma pseudo raça ganhe notoriedade à sombra de uma raça de inquestionável tradição, fama e prestígio, poderá constituir-se um estratagema não condenável.

A má fé está na intenção de aproveitar-se da desinformação do público para tentar confundir as pessoas, e, utilizando-se de falsos expedientes, criar argumentos mentirosos que induzem a suposta transferência da história do Bulldog Inglês para estas pseudo raças com o objetivo de viabilizar a comercialização delas. Dota-las de magia e de mistério para faze-las mais atrativas.

Instituindo a mentira, as falsas informações, muitas vezes citadas de maneira propositadamente truncadas para promover a distorção da história.

Um ato de hipocrisia e leviandade. É um procedimento a que devemos condenar por tratar-se , antes de tudo, de um ato de má fé.

Nos Estados Unidos da América estão sendo detectados as seguintes pseudo raças nestas circunstâncias :

OLDE ENGLISH BULDOGGE
OLDE ENGLISH BULDOGGE

• OLDE ENGLISH BULDOGGE
• BRITISH BULLDOG
• SUSSEX BULLDOG

 

A-LAP-AHA
A-LAP-AHA

• OLD THYME BULLDOG
• A-LAP-AHA BLUE BLOOD BULLDOG

No Brasil, está sendo detectada a seguinte pseudo raça nesta circunstância:

O anúncio diz

O anúncio diz:

BULLDOG campeiro (forma original do bulldog derrubador de touros) agilidade, robustes, cara feia. Resgate e aprimoramento da raça. Filhotes filhos de Titan e Laka.

É importante salientar três pontos:

1. O AMERICAN KENNEL CLUB, Instituição de Cinofilia dos USA, não reconhece a pureza destas raças. Elas não possuem o pedigree do A K C.

2. O THE KENNEL (Inglaterra), a F.C.I. e o A K C facultam somente para duas raças o uso da palavra BULLDOG compondo o nome da raça canina :

O BULLDOG INGLÊS e o BULLDOG FRANCÊS.

Todos os promotores destas pseudo raças, tem um princípio comum, atribuir a estes cães os feitos históricos realizados pelo Bulldog Inglês no passado. Todos alegam que estes cães são os originais e autênticos cães lutadores das rinhas dos séculos passados (em temperamento e fenótipo). Tentam justificar todo este folclore instituído, com os mais incoerentes argumentos como, por exemplo: ” de que estes cães estiveram confinados todos estes anos nas fazendas Americanas que existem no interior do país (USA), aonde viviam e eram selecionados mantendo a pureza raça, e por isso, quase que miraculosamente estiveram preservados (Haja Stock nestas fazendas para evitar um inbreeding devastasse estas linhagens)”. Alguns criadores de outra pseudo raça estão divulgando em Website sobre esta raça aqui no Brasil, a mesma estória, totalmente destituída de embasamento crível. Alegam que esta pseudo raça seja o antigo fenótipo do Bulldog lutador, ou seja, neste caso, um retrocesso na história da evolução do Bulldog. E esta pseudo raça tem uma caixa craniana estreita, incompatível para com aqueles que pretendam se candidatar a um dia ser considerado como braquicéfalo e molossóide.

Atribuir a estas pseudo raças os feitos que fazem parte da história da raça Bulldog Inglês, demonstra o poder de influencia que o MITO BULLDOG irradia.

Sería apenas uma fórmula inventada para encantar a um ouvinte. Sería um argumento para convencer enganosamente a um interessado de que ele estaria prestes a adquirir um animal de significativo passado e tradição, mas, não é tão simples assim, muitos outros problemas surgindo em decorrência disso. Pessoas que compraram de boa fé, iludidas por estórias construídas por sobre informes propositadamente truncados e mentirosos, interpretam assim que estão comprando um animal de pura raça e só descobrem-se lesadas quando decidindo apresentar estes cães nas exposições são impedidas de participar, descobrindo tardiamente, tratar-se de uma raça não reconhecida como pura.

A palavra MITO é relativo às coisas fictícias ou irreais. O MITO é uma palavra que designa um aspecto cultural que na realidade não é concreto, existe somente no imaginário de pessoas supersticiosas, mal informadas ou de pessoas que, por algum motivo, preferem acreditar e propagar a fantasia em detrimento da razão e do bom senso.

A ferocidade do Bulldog constitui-se hoje num MITO.

A figura e o nome do Bulldog, em razão do seu passado, exercem influencia para que o Bull Baiting continue a existir nos dias atuais:

Como história, por parte dos criadores da raça Bulldog.
Como mecanismo para exaltar o MITO, por parte de pessoas mal intencionadas que utilizam o inexistente Bull Baiting como instrumento para fabricar pseudo raças que vivem a sombra deste MITO.
Querer continuar a falar de Bulldogs associando o seu nome à palavra ferocidade, constitui-se no exercício do MITO, praticada por indivíduos que vivem fora da realidade e por elementos que não pertencem ao mundo da pura raça do BULLDOG INGLÊS.

O Bulldog Inglês é uma prova (incontestável) da competência e da habilidade que os homens possuem, quando querem resgatar uma raça de uma condição indigna, e promover a sua recuperação ao ponto de torná-la exemplo de conduta no meio social. Hoje o Bulldog apresenta um brilhante carisma e dentre todas as demais raças caninas é uma das mais dóceis e afetuosas.

O BULLDOG ATUAL

Bulldog Atual
Bulldog Atual

Bulldog Inglês é um animal Majestoso.

Deve apresentar uma impressão de determinação, força e atividade. O temperamento deve ser vivaz, destemido, fiel, digno de confiança, corajoso, de aparência feroz mas dotado de natureza afetuosa.

Os criadores no passado fizeram dele um animal cruel e sem piedade, pronto para cravar os dentes em qualquer coisa que se movesse ante aos seus olhos. Mas os criadores posteriores, no curso de algumas décadas, o converteu num cão como todos os demais, inclusive mais doce e equilibrado que a maior parte dos exemplares de guarda e de defesa. Atualmente é um cão sumamente fiel, é fleumático, gosta de brincar com crianças, dotado de um enorme auto controle e um bom sentido de humor, que mostra a todos os seres humanos um afeto profundo e uma grande indulgencia. Isto é o que asseguram os cinófilos que tem estudado a raça. Tem aparência carrancuda, um aspecto intimidatório e incorruptível, mas quando o conhecemos mais profundamente verificamos que existe um coração dourado escondido sob aquela massa de músculos.

Fonte: http://www.bulldogclubdobrasil.org/bulldog.asp

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